Em entrevista exclusiva ao site Sem Censura, o ex-governador e candidato ao Governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda, detalhou suas propostas para enxugar a máquina pública, reestruturar o Banco de Brasília (BRB) e expandir a malha de transporte. Durante a sabatina, o candidato rebateu questionamentos jurídicos e apresentou planos para a mobilidade, educação e segurança pública.
Sem Censura: No debate da Band, a governadora Celina Leão defendeu o balanço fiscal da atual gestão, enquanto outros adversários questionaram o inchaço da máquina administrativa. O senhor tem criticado a existência de mais de 35 secretarias e defende o enxugamento de cargos comissionados para abrir espaço a concursos e reajustes. Como pretende cortar cargos e despesas de custeio sem paralisar a administração pública ou perder governabilidade com a Câmara Legislativa?
Arruda: É preciso um choque de gestão. O que está acontecendo hoje é que o GDF virou cabide de emprego para cabo eleitoral. No gabinete da vice-governadora, que está extinto porque ela virou governadora, tem 360 funcionários. Enxugando e cortando os desperdícios, eu economizo R$ 1 bilhão e quero contratar servidores concursados para melhorar a saúde, a segurança e a educação pública.
Sem Censura: A crise de transparência do BRB foi ponto central no debate, com Ricardo Cappelli cobrando a publicação imediata de balanços e Leandro Grass alertando contra a transferência de eventuais prejuízos para os servidores públicos. Em contrapartida, o senhor propôs atrair recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para alavancar a instituição. Caso eleito, como garantirá uma auditoria independente no BRB sem comprometer a estabilidade do banco de fomento do DF?
Arruda: Já existe uma auditoria. A dúvida é se a atual diretoria deu consequência ao que foi apontado. Nós vamos ter uma diretoria independente e profissional e, se necessário, faremos uma nova auditoria. Antes de mais nada, é preciso saber a atual situação do BRB. Estão escondendo o balanço. Em tese, para salvar o banco, seriam necessárias algumas medidas simultâneas: fechar as 19 agências fora de Brasília; cortar gastos desnecessários, como patrocínio de time de futebol, Fórmula 1 e sala VIP de autoridades; instituir um PDV para aqueles servidores mais antigos que desejem antecipar sua aposentadoria; e abrir um diálogo produtivo com o governo federal, porque é preciso trazer o Fundo do Centro-Oeste (FCO). São R$ 15 bilhões por ano que hoje são aplicados no Banco do Brasil. O BRB hoje é muito pequeno para ser grande e muito grande para ser pequeno. Tem que reduzir o tamanho do banco, voltar o BRB para Brasília e para as cidades do Entorno, reduzir desperdícios e ter uma gestão profissional.
Sem Censura: Durante o debate, Leandro Grass defendeu a reestruturação das concessões e a implantação gradual da tarifa zero, enquanto Kiko Caputo e o senhor focarão na expansão da malha ferroviária até regiões como Sol Nascente, Samambaia e entorno. Diante dos custos bilionários para modernizar sinalização e frota, qual é o seu plano concreto para expandir o metrô e o VLT mantendo o equilíbrio tarifário sem dependência de subsídios?
Arruda: No meu governo, a tarifa de ônibus era R$ 3 e eu pagava zero de subsídio. Ainda assim, modernizei 100% da frota. Agora, a tarifa é R$ 5 e o subsídio ultrapassa R$ 2 bilhões. Sabe por quê? Porque passaram a remunerar as empresas por quilômetro rodado, não mais por passageiro transportado. Assumindo o governo, se for o propósito de Deus, eu vou mudar a fórmula de cálculo de remuneração, instaurar uma fiscalização que hoje não tem, e vou fazer uma auditoria nesse subsídio. Com esses R$ 2 bilhões que são pagos hoje, daria para fazer 20 km de metrô por ano, 80 km em quatro anos. E eu vou fazer. Serão quatro novas linhas de metrô, a Interbairros, que será a nova EPTG, e o anel rodoviário para que os caminhões que transportam carga para outros estados não precisem mais passar por dentro da cidade.
Sem Censura: A deputada Paula Belmonte apontou deficiências graves na estrutura das escolas públicas do DF — afirmando que a maioria não possui refeitórios adequados —, enquanto Leandro Grass propôs a revisão do modelo das escolas militarizadas e a reabertura de negociações de carreira com os professores. O senhor declara que a educação será prioridade do seu governo; qual a sua posição sobre o modelo cívico-militar e de onde sairão os recursos para reformar as unidades escolares precarizadas?
Arruda: A meta síntese do meu plano de governo é voltar a ter uma educação pública de qualidade. Em 2009, éramos primeiro lugar no Ideb. Hoje estamos em 27º, temos o pior ensino médio do Brasil, em plena capital do país. Não foi isso que Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro sonharam. Independentemente do modelo, é preciso investir na valorização profissional e salarial dos professores. Também é preciso retomar a educação integral, aquela em que o aluno entra às 7h da manhã, faz cinco refeições e sai às 5h da tarde. Além disso, pretendo entregar 1.500 novas salas de aula, novas ou reformadas. No meu governo, fizemos mil salas em mil dias. Recursos não faltam no DF. É uma questão de prioridade e gestão.
Sem Censura: A política de acolhimento social e a segurança no Plano Piloto e nas Regiões Administrativas geraram divergências entre os candidatos no debate. Moradores e comerciantes cobram soluções para a convivência com centros de assistência como o Centro Pop. Qual é a sua proposta para reestruturar o atendimento à população em situação de rua e reordenar esses equipamentos públicos sem recorrer ao higienismo social nem abandonar a segurança do comércio local?
Arruda: Primeiro de tudo, tirar o Centro Pop imediatamente ali da porta do Parque da Cidade. Também é preciso fazer um acolhimento como era no meu governo. Levar aqueles que desejam para os albergues, dar passagens para os que querem retornar a seus estados de origem e levar para casas de recuperação os que são usuários de drogas. Para quem comete crimes, polícia. O que vemos hoje é um absurdo. Não dá para virar bagunça a cidade.
Sem Censura: A disputa sobre a sua situação jurídica tomou o debate: Celina Leão resgatou condenações da Operação Caixa de Pandora, enquanto Ricardo Cappelli argumentou que a decisão deve caber ao eleitor na urna. Como o senhor responde aos eleitores que temem instabilidade política ou uma eventual nova judicialização durante o mandato, e qual será o seu argumento jurídico para assegurar a diplomação em caso de vitória?
Arruda: Os problemas que vivi eu já respondi no fórum adequado, que é a Justiça. Graças a Deus, a pedido do próprio Ministério Público, as provas foram anuladas. O fato é que estou apto e elegível para disputar as eleições. A Lei 219/25, aprovada na Câmara e no Senado, sancionada pelo presidente e com parecer favorável do Ministério Público nesse quesito específico, diz, no parágrafo 8º do artigo 1º, que os oito anos de inelegibilidade começam a contar na decisão de segundo grau que já produziu. No meu caso, 17 de junho de 2014, venceu em 17 de junho de 2022.


