O primeiro confronto televisivo das Eleições 2026 para o Governo do Distrito Federal (GDF) na Band colocou frente a frente seis postulantes ao Palácio do Buriti: Celina Leão (PP), Ricardo Cappelli (PSB), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).

 

​Em um debate de formato dinâmico com gestão livre de tempo, a disputa expôs as estratégias centrais de cada grupo para a corrida eleitoral no DF.

 

​O Desempenho dos Candidatos no Palco

 

​1. Ricardo Cappelli (PSB) – O Atacante da Noite

​Estratégia: Polarização direta com a máquina do GDF.

 

​Pontos Fortes: Foi o candidato mais agressivo do debate, focando suas baterias em Celina Leão. Usou adjetivos fortes — chamando a governadora de “camaleoa” por suas trocas de alianças — e subiu o tom contra o uso de blogs para ataques de reputação. Também tentou acenar ao funcionalismo público ao prometer equiparação salarial para professores, citando sua bagagem no governo do Maranhão ao lado de Flávio Dino.

​Pontos Fracos: A postura ostensiva de embate pode gerar rejeição no eleitorado moderado se não for acompanhada de propostas detalhadas para os gargalos locais do DF.

 

​2. Celina Leão (PP) – Contenção de Danos e Gestão

​Estratégia: Defesa do legado da gestão e manutenção do favoritismo de vidraça.

 

​Pontos Fortes: Buscou demonstrar controle dos números e realizações do governo, evitando responder às provocações mais pesadas no mesmo tom para não transformar o debate em baixaria generalizada.

 

​Pontos Fracos: Como principal alvo dos adversários, passou boa parte do tempo na defensiva, tendo que responder sobre finanças públicas, alianças passadas e denúncias da oposição.

 

​3. José Roberto Arruda (PSD) – O Foco Institucional e a Memória

​Estratégia: Pautar a discussão fiscal e mostrar conhecimento de causa da máquina pública.

 

​Pontos Fortes: Moveu uma jogada tática ao propor um manifesto entre todos os candidatos para cobrar a divulgação do balanço financeiro do Banco de Brasília (BRB). Trouxe contornos técnicos e institucionais que tiraram o foco do embate pessoal.

​Pontos Fracos: Carrega o peso de desgastes de gestões passadas, o que limita seu raio de manobra quando o debate descamba para cobranças de integridade.

 

​4. Leandro Grass (PT) e Paula Belmonte (PSDB) – A Disputa por Espaço

​Estratégia: Tentar furar a bolha entre a gestão Celina e a ofensiva de Cappelli.

 

​Pontos Fortes: Ambos mantiveram coerência programática — Grass batendo na tecla das políticas sociais, transporte e serviços públicos, e Paula Belmonte focando na fiscalização, ética e saúde.

​Pontos Fracos: Tiveram dificuldades para centralizar as atenções em momentos nos quais o confronto direto entre a governadora e seus principais críticos monopolizou o tempo dos blocos.

 

​5. Kiko Caputo (Novo) – A Doutrina Liberal

​Estratégia: Apresentação como alternativa de fora do sistema tradicional.

 

​Pontos Fortes: Discurso alinhado ao eleitor conservador/liberal focado em eficiência do gasto, desburocratização e corte de privilégios.

​Pontos Fracos: Faltou maior apelo popular nas pautas do cotidiano do eleitor de média e baixa renda do DF.

 

​Afinal, quem se deu melhor no debate?

​Determinar o “vencedor” depende da régua de avaliação de cada eleitor:

 

​No quesito “Dominar a Pauta e Criar Fatos Políticos”: Ricardo Cappelli se destacou. Conseguiu ditar o ritmo das críticas ao governo, enquadrou Celina Leão e gerou os momentos de maior repercussão do debate.

 

​No quesito “Manutenção de Posição”: Celina Leão cumpriu o papel do candidato que lidera ou detém a máquina: resistiu aos ataques sem perder o equilíbrio, garantindo a sua base sem grandes deslizes.

 

​No quesito “Estratégia Tática”: José Roberto Arruda surpreendeu ao tentar puxar os adversários para uma pauta técnica conjunta (o caso BRB), demonstrando habilidade política.

 

​O debate da Band deixou claro que a corrida pelo Buriti será marcada por um embate duro entre a continuidade da atual gestão e uma oposição disposta a cobrar transparência e resultados nos serviços públicos da capital.