Alteração ortopédica frequente em recém-nascidos exige diagnóstico precoce e orientações posturais; UBSs realizam a triagem inicial e encaminham os casos que necessitam de fisioterapia.
Nos primeiros meses de vida, cada movimento do recém-nascido é acompanhado de perto pela família. Entre as particularidades posturais que podem surgir logo após o nascimento está a tendência de manter a cabeça sempre inclinada para um lado e o queixo virado para a direção oposta. Esse quadro pode indicar o torcicolo muscular congênito (TMC), uma das alterações ortopédicas mais comuns da primeira infância e que conta com diagnóstico, manejo clínico e reabilitação na rede pública de saúde do Distrito Federal.
A fisioterapeuta Camila Medeiros, da Gerência de Serviços de Saúde Funcional (GESSF) da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), alerta que o problema ocorre principalmente devido ao encurtamento, à rigidez ou à alteração estrutural no músculo esternocleidomastoideo (ECOM), situado na região lateral do pescoço. Quando não identificado oportunamente, outros grupos musculares dos ombros e da coluna cervical passam a compensar a postura, podendo comprometer o alinhamento corporal e o formato craniano do bebê.
A origem do TMC envolve múltiplos fatores que podem se manifestar durante a gestação ou no trabalho de parto. Entre as hipóteses clínicas estão o mau posicionamento intrauterino do feto, partos difíceis ou instrumentados e alterações na irrigação sanguínea do músculo, capazes de formar pequenos nódulos fibrosos e endurecidos.
“A avaliação detalhada observa a movimentação do pescoço, a postura, a simetria dos movimentos, o formato da cabeça e o desenvolvimento motor global da criança”, explica a profissional. “A família participa ativamente do tratamento. Muitas das orientações de posicionamento, movimentação e estímulos precisam ser incorporadas à rotina da criança em casa, sempre em conformidade com o plano terapêutico traçado para o bebê”, ressalta a especialista.
Sinais de alerta para a família

Embora o quadro possa ser notado já nos primeiros dias na maternidade, é nas semanas iniciais de vida — quando o controle motor começa a se esboçar — que os sinais ficam mais visíveis. Os pais e cuidadores devem ficar atentos a indicativos como:
- Cabeça constantemente inclinada para um ombro e queixo apontando para o lado contrário
- Dificuldade ou resistência do bebê em virar o rosto para um dos lados
- Achatamento na região posterior ou lateral da cabeça (plagiocefalia postural)
- Preferência marcante por mamar em apenas um dos seios, demonstrando incômodo ou choro ao ser posicionado na mama oposta
- Baixa tolerância ao _tummy time_ (estímulo de bruços, realizado sempre com o bebê acordado e sob supervisão)
- Camila aponta que o torcicolo congênito não costuma gerar dor em repouso. O desconforto decorre da limitação mecânica do movimento, surgindo especialmente quando alguém tenta forçar a cabeça da criança para o lado restrito. Por essa razão, manobras bruscas ou tentativas caseiras de “destravar” o pescoço são terminantemente contraindicadas.
Fluxo de acolhimento e reabilitação na rede pública do DF

Ao identificar qualquer assimetria ou limitação de mobilidade, o primeiro passo dos responsáveis é buscar a UBS de referência. Na consulta com a equipe de Saúde da Família, os relatos sobre a rotina da criança auxiliam na triagem clínica.
Nem todos os casos demandam intervenções de alta tecnologia. Muitas situações leves são acompanhadas na própria Atenção Primária, por meio de acompanhamento regular do crescimento e do desenvolvimento da criança e de orientações posturais aos pais, como alternar a posição do berço em relação à luz e direcionar brinquedos para o lado menos móvel.
Quando há restrições articulares mais acentuadas, atraso no desenvolvimento motor ou assimetrias cranianas associadas, a criança é encaminhada pela regulação para centros especializados. Hospitais de retaguarda materno-infantil, a exemplo do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), atuam na identificação precoce em bebês que receberam alta de unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais e enfermarias, enquanto as policlínicas regionais e os núcleos de reabilitação conduzem as sessões de fisioterapia motora individualizada.
Verifique a unidade de referência: https://info.saude.df.gov.br/busca-saude-ubs/
