Troca de conhecimentos entre residentes e profissionais alia formação prática e atendimento humanizado.

O Hospital Regional de Samambaia (HRSam) apresenta os resultados práticos do primeiro ano como participante da Residência Multiprofissional de Enfermagem em Saúde do Adulto e do Idoso, promovida pela Escola de Saúde Pública do Distrito Federal (ESP-DF). A cada três meses, um grupo de novos residentes chega ao hospital para pôr em ação práticas atualizadas que aprendem em sala de aula.

Sete residentes do programa já passaram pelo HRSam em 2026. Cada um passa 60 horas na unidade, sendo 12 horas de atividade teórico-prática e 48 horas na assistência direta, enfrentando os desafios da rotina de atendimento. “Às vezes chegamos com insegurança e aqui recebemos pacientes em todo tipo de situação. Então temos que aprender a lidar. Já senti a alegria de perceber que meu trabalho ajudou muito, mas também já tive que lidar com a morte”, conta a residente Lídia Lima.

Essa parte prática é dedicada principalmente aos cuidados dos pacientes que se recuperam de acidentes ou de complicações de doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares. Também são atendidas pessoas que sofreram acidente vascular cerebral. Além das doenças em si, são enfrentadas situações como múltiplos problemas de saúde ao mesmo tempo, desafios psicossociais, baixa adesão ao tratamento e tempos prolongados de internação.

Internado no HRSam há mais de um ano, Edilson Silva elogia o trabalho da equipe de enfermagem e das residentes. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF

É o caso, por exemplo, de Edilson Silva, 54 anos. Em 30 de setembro, ele completou um ano de internação no HRSam por conta de lesões de pressão sofridas por passar muito tempo deitado, em decorrência de sua paraplegia causada por um acidente. Ele conta que, mais que o quadro clínico, o desafio é mental: “Temos que ter a atitude de aguentar. Eu brinco que o nome é paciente, então tem que usar a paciência”.

Todos os dias ele recebe a visita da equipe de residentes, um momento que descreve como sendo de alegria. Além de poder conversar, ele destaca a troca do curativo como um alívio. “Percebo que elas fazem com todo amor e carinho, até porque elas vêm aqui aprender. Então a gente ajuda elas também a aprender”, diz.

Essa prática diária de cuidado, que vai além dos conhecimentos teóricos, é destacada pela enfermeira Sirléia Oliveira, servidora da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) há mais de 20 anos e responsável por conduzir o trabalho dos residentes. “Se você cuida de uma ferida, não está cuidando apenas de uma ferida. Está cuidando de uma pessoa que tem uma ferida. Há uma humanização por trás disso. Há uma pessoa com suas dores, com seus anseios, com suas irritações”, explica.

Essa junção do conhecimento dos residentes com a experiência dos servidores é destacada pelo diretor do HRSam, Rafael Guimuzzi. “O residente chega com conhecimento atualizado, o que eleva a qualidade da assistência de toda a equipe. Para os pacientes, isso significa um cuidado mais próximo, mais seguro e baseado em evidências. A residência também estimula os nossos servidores: eles têm a satisfação de ver a experiência construída em anos de dedicação ao serviço público contribuir para a formação dos colegas de profissão”, afirma.

Com mais de 20 anos de experiência, a enfermeira Sirléia Oliveira destaca a importância de humanizar o atendimento. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF