Confira a entrevista na íntegra com a deputada distrital e pré-candidata ao Palácio do Buriti, Paula Belmonte, sobre gestão, saúde, educação e segurança pública.
SEM CENSURA: Deputada Paula Belmonte, no debate da Band, o candidato Kiko Caputo enfatizou a flexibilização administrativa e desburocratização fiscal como principal motor para o empreendedorismo e geração de empregos no Distrito Federal. Diante da sua experiência como empresária e deputada distrital, de que maneira a senhora pretende equilibrar a responsabilidade fiscal e a atração de empresas sem recorrer apenas a um discurso liberal clássico, garantindo investimento no serviço público?
PAULA BELMONTE: Eu acredito que responsabilidade fiscal e responsabilidade social precisam caminhar juntas. Não adianta termos um Estado que fecha as contas no papel, mas não entrega saúde, educação, segurança e transporte de qualidade para a população.
Nós vamos desburocratizar, simplificar processos e criar um ambiente melhor para quem empreende e gera emprego. Mas não acredito em um Estado que simplesmente saia de cena. O governo precisa ser eficiente e também ser indutor do desenvolvimento econômico.
É aí que entra o fomento. Nós queremos fortalecer as vocações econômicas de cada região administrativa, apoiar principalmente os pequenos e médios empresários e criar condições para que quem já empreende possa crescer e para atrair novos investimentos, ampliar a atividade econômica e gerar mais empregos no Distrito Federal. E o BRB tem um papel fundamental nisso. Nós queremos resgatar e fortalecer o BRB como banco regional de Brasília, voltado para o desenvolvimento da nossa cidade, oferecendo crédito e instrumentos de fomento para o pequeno empreendedor, para os negócios locais e para setores capazes de gerar emprego e renda.
Ao mesmo tempo, vamos ter responsabilidade com o dinheiro público, transparência, controle dos gastos e avaliação dos resultados. Para mim, boa gestão é isso: um Estado que não atrapalha quem produz, que fomenta o desenvolvimento e que transforma os recursos públicos em serviços de qualidade e dignidade para as pessoas.
SEM CENSURA: Deputada Paula Belmonte, durante o debate da Band, a governadora Celina Leão defendeu a manutenção e expansão do modelo das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e do consórcio de gestão na saúde pública para reduzir filas de atendimento. Em contrapartida, a senhora defende intervenções imediatas como mutirões de cirurgias nos primeiros 100 dias. De forma prática, como sua gestão contornará o déficit de profissionais no SUS do DF sem depender das organizações sociais defendidas por Celina Leão?
PAULA BELMONTE: A saúde do Distrito Federal não será resolvida apenas construindo unidades ou mudando o modelo de gestão. Precisamos fazer a rede funcionar de forma integrada e cuidar também de quem está na ponta. Nos primeiros 100 dias, queremos enfrentar aquilo que não pode mais esperar. Por isso defendemos uma ação emergencial para reduzir as filas de cirurgias e procedimentos. Mas mutirão não é política permanente. É uma resposta imediata para uma situação que se tornou inaceitável.
Paralelamente, vamos reorganizar a rede, fortalecer a atenção primária, ampliar a Saúde da Família, integrar as informações do paciente, implantar ferramentas de saúde digital e melhorar a gestão das filas, para que a pessoa saiba onde está, quando será atendida e qual é o próximo passo do seu tratamento. E existe uma questão fundamental: precisamos valorizar os profissionais da saúde. Vamos trabalhar com planejamento da força de trabalho, dimensionamento das necessidades de cada região, concursos e nomeações de acordo com a demanda da rede e melhores condições para quem já está trabalhando. Meu compromisso não é com um modelo de gestão. Meu compromisso é com o paciente e com uma saúde pública que funcione.
SEM CENSURA: Deputada Paula Belmonte, a pauta da educação integral em tempo integral e o combate às desigualdades nas Regiões Administrativas foram pontos centrais apresentados por Leandro Grass no debate da Band. A senhora tem na defesa da infância e na fiscalização escolar bandeiras históricas do seu mandato. Qual é o seu plano concreto para expandir creches e contraturno nas cidades de menor renda do DF que se diferencie do modelo defendido pela oposição de esquerda?
PAULA BELMONTE: Nós queremos ampliar progressivamente a educação em tempo integral, começando justamente pelos territórios onde as crianças estão mais vulneráveis. E não basta simplesmente manter o aluno mais horas dentro da escola. É preciso garantir qualidade nesse tempo, com esporte, cultura, tecnologia, reforço da aprendizagem e desenvolvimento integral.
Na primeira infância, precisamos ampliar o acesso às creches e enfrentar a demanda existente com planejamento territorial, identificando onde estão as maiores filas e onde a ausência desse serviço pesa mais sobre as famílias. Também vamos trabalhar fortemente na alfabetização e na recomposição da aprendizagem. Quero acompanhar resultados escola por escola, fortalecer os professores e fazer com que o Distrito Federal volte a ser referência nacional em educação.
Eu visitei centenas de escolas públicas e conheço de perto a realidade da nossa rede. A diferença que quero apresentar é gestão, acompanhamento e compromisso com resultado: não basta anunciar uma política pública, é preciso saber se ela chegou à criança e se está transformando a vida dela.
SEM CENSURA: Deputada Paula Belmonte, o candidato Ricardo Cappelli utilizou sua passagem pela intervenção federal no DF para pautar o fortalecimento do policiamento comunitário e a integração das inteligências policiais no debate da Band. Como a senhora pretende reestruturar a segurança pública das RAs do DF e garantir a valorização das forças policiais locais sem reproduzir apenas medidas de gestão ostensiva propostas por Cappelli?
PAULA BELMONTE: Segurança pública precisa ser presença, inteligência, prevenção e valorização de quem protege a população. O Distrito Federal tem forças de segurança extremamente qualificadas. O papel do governo é dar condições para que esses profissionais trabalhem, valorizar as carreiras e integrar cada vez mais Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e os demais órgãos envolvidos na proteção da população.
Também queremos ampliar o uso de tecnologia e inteligência, com integração de dados e ferramentas que permitam identificar onde os crimes estão acontecendo e agir preventivamente. Cada região administrativa tem uma realidade diferente, e a política de segurança precisa considerar essas diferenças.
E segurança não começa quando o crime acontece. Ela também passa por iluminação pública, ocupação dos espaços urbanos, esporte, educação e oportunidades para os nossos jovens, além de uma política muito firme de enfrentamento à violência contra as mulheres. Quero um governo que dê respaldo às nossas forças de segurança e que trabalhe para impedir que a violência aconteça.
Para acompanhar o calendário oficial, regras de votação e mais detalhes das eleições no Distrito Federal, consulte o portal do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) ou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


