​Auditora federal, economista e fundadora do Instituto Reciclando o Futuro analisa os desafios orçamentários, o combate à desigualdade regional e as políticas públicas de proteção e autonomia das mulheres.

​Por Redação Blog Sem Censura | Brasília, DF

​BRASÍLIA — Com uma trajetória marcada pela união entre governança técnica e trabalho comunitário de base, Renata D’Aguiar apresenta sua visão estratégica para o Distrito Federal. Auditora Federal de Finanças e Controle do Tesouro Nacional e Mestre em Economia, Renata acumula passagens pela Subsecretaria de Promoção das Mulheres do GDF, pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e é a idealizadora do Instituto Reciclando o Futuro, projeto que já atendeu dezenas de milhares de famílias em regiões vulneráveis do DF e Entorno.

​Em entrevista exclusiva ao Blog Sem Censura, a especialista aborda temas centrais para o futuro do DF, como a rigorosa fiscalização das contas públicas, propostas de leis eficientes na Câmara Legislativa (CLDF), autonomia financeira feminina e o combate à desigualdade entre as Regiões Administrativas e o Plano Piloto.

 

​1. Gestão Pública e Controle Fiscal

​BLOG SEM CENSURA: Como Auditora Federal de Finanças e Controle do Tesouro Nacional e mestre em Economia, você possui uma bagagem técnica sólida. Como pretende usar esse conhecimento para fiscalizar com rigor a aplicação do orçamento do DF e combater o desperdício de dinheiro público?

​RENATA D’AGUIAR: Eu acredito que dinheiro público tem dono: a população. E quem ocupa um cargo público precisa ter a consciência de que cada recurso administrado é fruto do trabalho de alguém. É o imposto de uma mãe, de um trabalhador, de um empresário. Por isso, não podemos tratar o orçamento como se fosse um dinheiro sem origem e sem responsabilidade.

​Minha formação em Economia e minha experiência como Auditora Federal de Finanças e Controle me ensinaram justamente a olhar para o recurso público com responsabilidade, método e resultado. Eu quero levar essa experiência para a Câmara Legislativa para exercer uma fiscalização que não seja apenas política, mas também técnica. É preciso acompanhar o orçamento, os contratos, as prioridades, a execução e, principalmente, perguntar: esse dinheiro está realmente chegando na ponta e melhorando a vida das pessoas?

​“Combater desperdício não significa simplesmente gastar menos. Significa gastar melhor. E quando o recurso é bem administrado, sobra dinheiro para aquilo que realmente importa: saúde, educação, segurança, infraestrutura e cuidado com as famílias.”

​Eu não quero ser uma parlamentar que apenas aponta problemas. Quero ser alguém que fiscaliza, propõe soluções e cobra resultados. Porque combater desperdício não significa simplesmente gastar menos. Significa gastar melhor. E quando o recurso é bem administrado, sobra dinheiro para aquilo que realmente importa: saúde, educação, segurança, infraestrutura e cuidado com as famílias.

 

​2. Ação Social e Impacto nas Comunidades

 

​BLOG SEM CENSURA: Sua atuação à frente do Instituto Reciclando o Futuro a aproximou das periferias e comunidades vulneráveis do DF. Qual o principal aprendizado dessa vivência e como transformar essa realidade em projetos de lei eficientes na CLDF?

​RENATA D’AGUIAR: O maior aprendizado foi entender que ninguém quer viver de assistência para sempre. As pessoas querem oportunidade. Querem estudar, trabalhar, empreender, cuidar dos filhos e construir uma vida melhor.

​Quando fundei o Instituto Reciclando o Futuro, em 2017, a ideia era muito simples: levar oportunidade para quem mais precisava. Desde então, o trabalho alcançou dezenas de milhares de pessoas no Distrito Federal e no Entorno, com capacitação, inclusão social, esporte e geração de renda. Hoje, o instituto possui unidades espalhadas por diferentes regiões e continua chegando justamente onde muitas vezes o poder público não consegue chegar com a mesma velocidade.

​E isso mudou completamente a minha forma de enxergar política pública. Uma boa política não pode nascer de uma sala fechada. Ela precisa nascer ouvindo quem está na ponta.

​Na Câmara, quero transformar essa experiência em leis que tenham começo, meio e fim: diagnóstico do problema, recurso previsto, meta, execução e avaliação do resultado. Quero políticas que cheguem às regiões administrativas, que capacitem as pessoas, fortalçam o terceiro setor e criem caminhos de autonomia.

​Porque, para mim, política social de verdade é aquela que não olha para uma pessoa apenas pela necessidade que ela tem hoje, mas pela capacidade que ela tem de construir o próprio futuro.

 

​3. Empoderamento e Proteção às Mulheres

​BLOG SEM CENSURA: Com sua experiência na Subsecretaria de Promoção das Mulheres do GDF, quais são as ações mais urgentes que a Câmara Legislativa precisa aprovar para garantir segurança, autonomia financeira e apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade?

​RENATA D’AGUIAR: Eu aprendi, estando à frente da Subsecretaria de Promoção das Mulheres, que proteger uma mulher significa olhar para a vida dela de forma integral. Não basta dizer para uma mulher vítima de violência: “saia dessa situação”. Muitas vezes ela não tem para onde ir, não tem renda, tem filhos e depende financeiramente do próprio agressor.

​Por isso, eu acredito em três pilares: proteção, autonomia e oportunidade.

​Precisamos fortalecer a rede de proteção, ampliar o atendimento especializado e fazer com que a mulher encontre acolhimento perto de onde mora. Mas também precisamos trabalhar a autonomia financeira. Durante minha atuação, iniciativas como o Cerrado Feminino, voltado à capacitação, comercialização e fortalecimento de mulheres empreendedoras, mostraram que gerar renda também é uma forma de proteção.

​Também defendo a ampliação de programas de capacitação profissional, empreendedorismo e acesso ao mercado de trabalho. O Projeto Elas, por exemplo, ofereceu centenas de oportunidades gratuitas de qualificação para mulheres em situação de vulnerabilidade.

​“Nenhuma mulher deve ser obrigada a escolher entre a própria segurança e a sobrevivência da sua família.”

​É por isso que quero trabalhar por políticas que deem à mulher condições reais para recomeçar. Porque combater a violência também é dar independência, dignidade e perspectiva de futuro.

 

​4. Redução das Desigualdades Regionais

​BLOG SEM CENSURA: Existe um abismo social e de infraestrutura entre o Plano Piloto e as Regiões Administrativas. Em quais áreas — como saúde, transporte ou geração de empregos — você enxerga maior gargalo orçamentário e como redirecionar os recursos públicos para as RAs?

​RENATA D’AGUIAR: Eu vejo esse problema de uma maneira muito clara: o CEP de uma pessoa não pode determinar a qualidade do serviço público que ela recebe.

​Quem mora em uma região mais distante não pode precisar atravessar o Distrito Federal para conseguir atendimento médico, fazer um curso profissionalizante, acessar uma oportunidade de emprego ou resolver um problema básico.

​Minha experiência no terceiro setor me permitiu conhecer comunidades muito diferentes do DF. E uma coisa que ficou muito evidente para mim é que cada região tem uma necessidade específica. Em Água Quente, por exemplo, o Reciclando o Futuro abriu sua 17ª unidade justamente para levar esporte, cultura e capacitação profissional para perto das famílias.

​Por isso, não acredito em uma política pública feita de forma igual para todos. Precisamos tratar de maneira diferente quem vive realidades diferentes.

​Eu defendo um orçamento cada vez mais orientado por evidências: identificar onde estão os maiores déficits, quais regiões têm menos acesso aos serviços e direcionar recursos para reduzir essas desigualdades. Saúde básica perto de casa, transporte digno, saneamento, educação, qualificação profissional e geração de emprego precisam deixar de ser privilégios de localização.

​E tem outra questão fundamental: emprego também é política pública. Se conseguirmos levar qualificação, empreendedorismo e oportunidades para dentro das regiões administrativas, nós não apenas melhoramos a renda das famílias; nós diminuímos a desigualdade territorial do Distrito Federal.

 

​5. Visão Política e Futuro do DF

​BLOG SEM CENSURA: Com o crescimento e fortalecimento da sua atuação política ao longo dos últimos anos, qual é o diferencial que o eleitor do Distrito Federal pode esperar da sua candidatura para os próximos quatro anos?

​RENATA D’AGUIAR: Eu acredito que o meu diferencial está justamente na união de três experiências que nem sempre caminham juntas: a experiência técnica de quem conhece o orçamento público, a experiência de gestão de quem já esteve dentro do governo e a experiência humana de quem passou anos trabalhando diretamente com as comunidades.

​Eu não cheguei à política agora. Antes de pensar em mandato, eu já estava trabalhando. Como auditora, aprendi a cuidar do recurso público. No FNDE, tive a experiência de gestão. No Instituto Reciclando o Futuro, conheci de perto as dificuldades e também a força das famílias do DF. E, na Secretaria da Mulher, pude transformar algumas dessas experiências em políticas públicas.

​Então, se eu tiver a oportunidade de estar na Câmara Legislativa, quero levar essa combinação para o mandato: menos discurso vazio e mais resultado.

​Quero ser uma deputada que fiscaliza, mas também constrói. Que conhece os números, mas não esquece as pessoas que estão por trás deles. Que entra em uma comunidade para ouvir antes de prometer.

​Eu acredito que a política ainda pode transformar vidas. E, talvez, essa seja a razão de eu ter escolhido esse caminho: porque eu já vi uma oportunidade mudar uma história, uma capacitação devolver autoestima, uma mulher conquistar autonomia e uma família voltar a acreditar no futuro.

​“Eu quero fazer política para que mais pessoas tenham a oportunidade de escrever uma história diferente. Porque o futuro do Distrito Federal não pode ser construído para poucos. Ele precisa ser construído para todos.”