Os bastidores políticos do Distrito Federal ganharam um novo e movimentado capítulo. A desistência do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) de disputar uma vaga no Senado Federal promete provocar um verdadeiro efeito dominó nas costuras partidárias para as próximas eleições.
O recuo de Ibaneis força um rearranjo imediato na coligação que deve apoiar a atual governadora do DF, Celina Leão (PP), em sua campanha de reeleição. As mudanças não devem se restringir apenas ao MDB, mas tendem a alcançar todos os partidos aliados que orbitam em torno da chefe do Executivo local.
O estopim da crise e o racha no MDB
A relação entre o grupo de Celina Leão e o MDB já vinha enfrentando momentos de forte turbulência. Antes mesmo de Ibaneis anunciar publicamente que estava fora da disputa, a governadora havia manifestado apoio formal às pré-candidaturas de Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis — ambas nomes fortes do PL — para as cadeiras do Senado.
A decisão de Celina foi um balde de água fria nas pretensões de Ibaneis Rocha, que esperava um apoio explícito e exclusivo da governadora à sua candidatura. Como esse aval nunca veio, o clima azedou.
Bastidores: Na época, o movimento da governadora tensionou tanto os laços com o MDB que o partido chegou a ameaçar um racha definitivo, cogitando, inclusive, lançar um nome próprio na disputa pelo Palácio do Buriti.
O que muda agora? O novo desenho das alianças

Com a saída de Ibaneis do cenário da disputa ao Senado, a pressão imediata por espaço diminui, mas abre-se uma nova rodada de negociações intensas. O desenho da chapa majoritária começa a ganhar novos contornos e acomodações:
Vice do MDB: Para selar a paz e manter o MDB na base governista, ganha muita força a possibilidade de a vaga de vice na chapa de Celina Leão ser indicada pelo partido. Isso compensaria a perda do protagonismo de Ibaneis e manteria a sigla com forte peso no Executivo.
Vaga para o Senado no Republicanos: Com uma cadeira vaga na disputa ao Senado pela coligação, o Republicanos surge como o principal cotado para ocupar esse espaço, equilibrando as forças evangélicas e conservadoras do DF.
Consolidação do PL: O apoio prévio de Celina a Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ganha ainda mais peso na composição, consolidando a ala bolsonarista na chapa.
Articulação nos bastidores: Os demais partidos aliados correm contra o tempo para recalcular suas fatias de poder e garantir espaço nos palanques.
O xadrez político foi reiniciado
A saída de Ibaneis Rocha acalmou os ânimos de um racha iminente, mas deu início a uma corrida frenética por espaço. Os próximos dias serão decisivos para entender como essas novas peças — MDB na vice e Republicanos de olho no Senado — vão se encaixar oficialmente.
Quem ganha e quem perde com a nova configuração das forças políticas locais? O jogo está apenas começando.
