Doença silenciosa pode levar à cegueira irreversível, mas controle e preservação da visão são possíveis por meio de tratamento

Rosimeire de Oliveira, 67 anos, aposentada, começou a perceber que algo não estava bem quando passou a ter dificuldades para enxergar, mesmo usando os óculos. “Eu sempre ia na ótica e fazia novos óculos e, em um período de três meses, fiz três óculos e a minha acuidade visual continuava diminuindo muito”, contou.

A virada de chave na vida da aposentada ocorreu durante uma tarde, enquanto ajudava a filha a pintar os cabelos. “Eu não tinha percepção dos cabelos dela. Eu só tinha perceptividade da cabeça. Então, me desesperei e fomos atrás de ajuda médica”, lembra.

A ausência de acompanhamento oftalmológico regular resultou em um diagnóstico tardio de glaucoma, já em estágio avançado. Com pressão ocular elevada e visão quase 100% comprometida, Rosimeire precisou passar por cirurgia no início deste mês.

Rosimeire Carlos de Oliveira, 67, descobriu a doença em estágio avançado e realizou cirurgias para tratamento: “Eu acredito no diagnóstico, mas na minha cabeça, vou voltar a enxergar pelo menos mais de 30%”. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

“Tenho a consciência de que não vou ganhar o que já perdi, mas espero que melhore bastante, porque gosto de fazer atividades, de artesanato e não estou podendo fazer nada. Acredito no diagnóstico, mas na minha cabeça, vou voltar a enxergar pelo menos mais de 30%”, conta, esperançosa.

 

Glaucoma

Glaucoma provoca dano progressivo ao nervo óptico, levando à perda gradual do campo visual. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

O caso de Rosimeire reforça a importância da conscientização sobre o glaucoma, tema destacado ao longo do mês de março. A doença é silenciosa e uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Na maioria das vezes, não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que faz com que muitas pessoas – como a Rosimeire – só descubram o problema quando já há perda significativa da visão.

A doença provoca dano progressivo ao nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais ao cérebro. O comprometimento do nervo leva à perda gradual do campo visual e, em estágios avançados, pode causar cegueira permanente.

Os fatores de risco incluem histórico familiar de glaucoma, idade acima de 40 anos, pressão intraocular elevada, miopia elevada, diabetes, uso prolongado de medicamentos à base de corticoides e histórico de trauma ocular.

De acordo com o médico oftalmologista e referência técnica distrital na área, Frederico Lóss, a detecção antecipada evita sequelas graves. “Pessoas que apresentam um ou mais fatores de risco devem realizar avaliações oftalmológicas periódicas, pois o diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem controlar o glaucoma e preservar a qualidade de vida dos pacientes. Os exames oftalmológicos regulares são a principal estratégia para prevenir a perda visual”, reforçou.