Campanha destaca diagnóstico precoce e orienta população sobre sinais da doença e acesso aos exames na rede pública do DF

O câncer de intestino pode se desenvolver de forma silenciosa, muitas vezes sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Essa característica torna o diagnóstico precoce ainda mais importante para aumentar as chances de tratamento e reduzir o risco de complicações. A Campanha Março Azul 2026 chama a atenção da população para a importância dos exames preventivos e da adoção de hábitos saudáveis.

Também chamado de câncer colorretal, a doença intestinal é uma das mais comuns no país, atrás apenas dos cânceres de mama e de próstata. Foto: Divulgação/Ebserh

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), mais de 53 mil pessoas devem ser diagnosticadas com câncer de intestino no Brasil em 2026. Também chamado de câncer colorretal, é um dos mais comuns no país, atrás apenas dos cânceres de mama e de próstata, quando excluído o câncer de pele não melanoma. Com o tema “Jornada da Vida”, a campanha reforça a necessidade de ampliar a detecção precoce da doença.

Mesmo discreta no início, a enfermidade pode apresentar alguns sintomas com a progressão do quadro. Entre eles, estão sangue nas fezes, mudança no hábito intestinal, dor abdominal persistente, anemia e perda de peso sem causa aparente. Ao perceber qualquer sintoma, é importante buscar avaliação médica.

Para o chefe da Assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Gustavo Ribas, a prevenção continua sendo um dos caminhos mais eficazes para reduzir o impacto da doença.

“A prevenção é especialmente relevante em campanhas como o Março Azul. São ações simples, como ter uma dieta saudável, rica em fibras, manter o controle do peso, praticar atividades físicas, evitar o consumo de carnes processadas, álcool e tabagismo. Também é importante realizar consultas médicas regularmente, principalmente após os 45 anos”, afirma.

Acesso

Na rede pública do Distrito Federal, o acesso aos serviços começa, preferencialmente, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Nelas, o paciente passa por avaliação inicial e pode receber solicitação de exames de rastreamento, como o teste de sangue oculto nas fezes. Caso o resultado seja positivo, a pessoa é encaminhada para serviços especializados da rede para investigação mais detalhada, que pode incluir a realização de colonoscopia.

Dados da Secretaria de Saúde (SES-DF) mostram avanço na realização desses exames. Em 2025, foram realizados 4,4 mil exames de sangue oculto nas fezes no âmbito da SES-DF. O montante equivale a um aumento de quase 20% em relação a 2024 e de mais de 286% em relação a 2023, quando foram feitos 3.695 e 1.141 exames, respectivamente.

Campanha

Com o tema “Jornada da Vida”, a campanha reforça a necessidade de ampliar a detecção precoce do câncer de intestino. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

A campanha é promovida em todo o país pela Sociedade Brasileira de Endoscopia e Endoscopia Digestiva (Sobed), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Entre as ações que serão realizadas pelas sociedades médicas estão a iluminação de prédios públicos nas principais cidades brasileiras e a divulgação do Teste Fecal Imunoquímico, também conhecido como teste FIT ou exame de sangue oculto nas fezes.

O presidente da Sobed, Eduardo Hourneaux, destaca que a detecção precoce pode levar a até 90% de chance de sucesso no tratamento. “Acreditamos que a prevenção do câncer de intestino precisa fazer parte da rotina das pessoas, começando com a conscientização sobre o tema”, afirma.

A recomendação é iniciar a prevenção antes mesmo dos 45 anos, especialmente para quem tem histórico da doença na família, uma vez que aumenta as chances do diagnóstico.